Lula e Flávio lideram voto e rejeição em pesquisa Meio/Ideia
mai, 29 2026
O cenário político brasileiro continua dividido ao meio. Uma nova pesquisa do instituto Meio/Ideia, divulgada na quarta-feira (6), mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro estão no topo das intenções de voto para as eleições presidenciais de 2026Brasil. Mas há um detalhe crucial: eles também são os mais rejeitados.
É a clássica polarização. De um lado, quem apoia; do outro, quem se recusa a votar. E essa dinâmica define a corrida até outubro do próximo ano. A pesquisa foi contratada pelo veículo Canal Meio e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-05356/2026.
Liderança numérica e a sombra da rejeição
No primeiro turno simulado, Lula soma 40% das intenções de voto, mantendo sua liderança histórica nas pesquisas recentes. Flávio Bolsonaro, representando o campo bolsonarista, aparece com 36%, a apenas quatro pontos de distância. Parece uma vantagem confortável para o presidente, mas os números de rejeição contam outra história.
Aqui está o problema real: 44,8% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Lula "de jeito nenhum". É o maior índice de repulsa entre todos os pré-candidatos testados. Flávio fica logo atrás, com 38% de rejeição. Ou seja, quase metade do eleitorado já descartou o atual mandatário antes mesmo de a campanha começar oficialmente.
Em um eventual segundo turno direto entre os dois, a disputa aperta. Dados divulgados pelo portal FocusPoder indicam que Lula teria 46,5% dos votos contra 41,4% de Flávio. Uma margem de 5,1 pontos percentuais. Considerando que a margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais (para mais ou menos), estamos diante de um "empate técnico". Qualquer oscilação mínima pode inverter o placar.
Outros nomes à sombra dos gigantes
Enquanto Lula e Flávio dominam o debate nacional, outros políticos tentam abrir espaço, mas enfrentam barreiras menores de popularidade e rejeição. O governador Ronaldo Caiado (PSD) registra 18,5% de rejeição. Romeu Zema (Novo) tem 18%. Renan Santos (Missão) e Ciro Gomes aparecem com índices ainda mais baixos, de 14,5% e 14%, respectivamente.
A diferença é gritante. Enquanto os principais polos concentram quase 40% de rejeição cada um, os demais ficam abaixo de 20%. Isso sugere que o eleitorado ainda vê a eleição como um duelo binário. Os outros candidatos, por enquanto, são figurantes nesse roteiro de alta tensão.
A consolidação de Flávio como antagonista
Não é novidade que Flávio Bolsonaro ganhou força. Já em fevereiro de 2026, uma rodada anterior da mesma pesquisa mostrava seu crescimento vertente. Na espontaneidade, ele saltou de 6,6% em janeiro para 16,3% em fevereiro. Mauricio, analista do instituto, comentou na época que isso mostrava a "acomodação de Flávio como candidato do espectro bolsonarista".
Naquela medição antiga, a rejeição de Lula era de 44% e a de Flávio, de 34%. Nos últimos meses, ambos subiram. A rejeição a Lula cresceu levemente para 44,8%, e a de Flávio disparou para 38%. O que mudou? Talvez a visibilidade constante nas redes sociais e a percepção de que a disputa será travada exatamente nesses dois campos ideológicos opostos.
Avaliação de governo e o quarto mandato
A polarização não se limita às intenções de voto. Ela reflete diretamente na avaliação do desempenho atual do governo. Segundo os dados de fevereiro, 51,4% dos brasileiros reprovam a atuação de Lula, enquanto 46,6% aprovam. Um saldo negativo, embora estreito.
Quando questionados sobre se Lula merece um quarto mandato, a divisão é igualmente acirrada: 51% dizem que não, contra 47% que respondem sim. Essa resistência explica, em parte, a alta rejeição. Para muitos eleitores, a continuidade do presidente não é vista como uma garantia de estabilidade, mas como um risco político que preferem evitar.
O que esperar até outubro?
Com as eleições ainda distantes, muito pode mudar. Novas crises econômicas, escândalos ou propostas inovadoras podem alterar drasticamente esses números. No entanto, a estrutura básica da disputa parece definida: Lula versus Flávio.
O desafio para Lula será converter sua base fiel em novos votos sem aumentar a rejeição. Para Flávio, o caminho é consolidar seu apoio no centro-direita e tentar neutralizar a imagem de polarizador que tanto prejudica seus aliados históricos. O eleitorado, por sua vez, parece cansado da briga, mas pronto para escolher entre duas faces da mesma moeda.
Perguntas Frequentes
Quem é o mais rejeitado na pesquisa Meio/Ideia?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a rejeição com 44,8% dos entrevistados afirmando que não votariam nele. O senador Flávio Bolsonaro ocupa o segundo lugar com 38% de rejeição, demonstrando que ambos os principais candidatos possuem bases fortes de oposição.
Qual é a intenção de voto no primeiro turno?
No cenário de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 36%. A diferença de quatro pontos coloca Lula em vantagem, mas dentro de um contexto de disputa muito equilibrada e polarizada.
Como seria o segundo turno entre Lula e Flávio?
Simulações indicam que Lula teria 46,5% dos votos contra 41,4% de Flávio Bolsonaro. Essa margem de 5,1 pontos é considerada técnica devido à margem de erro de 2,5 pontos percentuais da pesquisa, sugerindo que qualquer variável pode alterar o resultado final.
Quais outros políticos foram avaliados na pesquisa?
Além de Lula e Flávio, a pesquisa mediu a rejeição de outros nomes como Ronaldo Caiado (18,5%), Romeu Zema (18%), Renan Santos (14,5%) e Ciro Gomes (14%). Todos apresentam índices de rejeição significativamente menores que os dois principais polos da disputa.
Qual é a aprovação do governo Lula atualmente?
De acordo com dados anteriores da mesma fonte, a aprovação da atuação de Lula é de 46,6%, enquanto a reprovação é de 51,4%. Essa avaliação negativa influencia diretamente a rejeição ao seu nome para um possível quarto mandato presidencial.