Filipe Curi é indicado ao Senado pelo PL após inelegibilidade de Castro
mar, 26 2026
O cenário político do Rio de Janeiro deu uma guinada brusca na última semana. Felipe Curi, delegado de polícia e ex-secretário de Segurança Pública, foi confirmado como candidato do Partido da Liberdade (PL) ao Senado. Isso acontece logo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar inelegível o ex-governador Cláudio Castro, que ocupava inicialmente a vaga. A troca foi oficializada nesta sexta-feira, 20 de março, e mexeu com todos os cálculos eleitorais para as próximas urnas.
Aqui está o detalhe interessante: Curi não estava nas primeiras listas para essa disputa. Ele havia deixado seu cargo na Secretaria de Polícia Civil em preparação para a campanha, mas agora assume um posto muito mais estratégico. Enquanto isso, o estado convive com um clima tenso entre segurança pública e investigações federais que parecem ter se cruzado de forma perigosa.
O perfil polêmico de Felipe Curi
Curi não é um desconhecido para a população fluminense. Seu nome ganhou projeção nacional, digamos assim, após liderar a Operação ContençãoRio de Janeiro. A ação, realizada em outubro de 2025, virou manchetes por dois motivos: a repressão pesada e o custo humano elevado.
A operação resultou em 180 mandados de busca e apreensão e centenas de prisões contra o Comando Vermelho. Mas o que ficou marcado foram os números tristes: 122 mortos em confrontos, incluindo cinco policiais civis. Para uns, Curi é o homem forte necessário para quebrar o poder das facções. Para outros, essa abordagem gera riscos de vida que precisam ser debatidos nas urnas.
Especificamente sobre a Operação Contenção, os dados mostram uma escalada sem precedentes na história recente do estado. A decisão de colocá-lo como candidato ao Senado sugere que o PL aposta na imagem de "mão dura" como vetor central de campanha, aproveitando a insatisfação popular com a violência urbana que ainda assola a cidade.
Sombra da corrupção federal paira sobre a campanha
Mas nem tudo são flores no tabuleiro policial do Rio. Quase simultaneamente à definição do chapa estadual, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a Operação AnomaliaRio de Janeiro. O alvo desta vez foi a Polícia Federal local.
O delegado Fabrizio Romano foi preso sob suspeita de integrar um grupo criminoso. As acusações envolvem negociação de vantagens indevidas para favorecer interesses de traficantes internacionais. Segundo a investigação, houve alegados R$ 150 mil em propina para interferir na extradição de Guer Luziano Palme, um traficante holandês preso em 2021.
Essa nuvem negra sobre as instituições de segurança pode complicar a vida de candidatos que se vendem como experts policiais. A pergunta que fica no ar é se o eleitor conseguirá separar a atuação da Polícia Civil Estadual da Polícia Federal nesse momento de crise institucional.
Tensões partidárias e acusações cruzadas
A política sempre tem quem atrite. O ex-prefeito Eduardo Paes, filiado ao Partido Social Democrático (PSD), já atacou a movimentação do governo. Ele acusou tanto Castro quanto Curi de usar a polícia para fins eleitorais.
O estopim foi a prisão do vereador Salvino Oliveira, também do PSD, que se autointitulava "cria da Cidade de Deus". Paes diz que há indícios de ligações do parlamentar com o tráfico, mas usa a situação para atacar a imparcialidade da máquina de segurança estadual. É um jogo de xadrez clássico: enquanto um lado aponta para a criminalidade do outro, o outro lado foca na eficiência da repressão.
A estrutura completa da legenda
Além de Curi no Senado, o PL organizou sua chapa completa para o estado. A vaga de governador coube a Douglas Ruas, secretário de Cidades na gestão anterior. Ruas tem um peso político importante: é filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, a segunda maior coliga eleitoral do estado.
Já para o segundo senador, manteve-se o nome de Marcio Canella, prefeito de Belford Roxo. Há uma regra técnica importante aqui: Canella precisará renunciar à prefeitura até 4 de abril para poder disputar as eleições, conforme manda a legislação eleitoral atual. Nas últimas eleições, ele foi o deputado estadual mais votado, o que valida sua popularidade local.
O que esperar nos próximos meses
A corrida começou, mas os obstáculos jurídicos permanecem. Os investigados na Operação Anomalia responderão por crimes de associação criminosa e lavagem de capitais. O caso faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, que visa desarticular conexões entre políticos e criminosos.
Enquanto isso, Curi terá que navegar entre a necessidade de mostrar força na segurança e a pressão de evitar qualquer envolvimento em escândalos de corrupção, sejam eles reais ou acidentais. O eleitor carioca, cansado e atento, vai observar cada passo. A promessa de ordem versus a realidade da corrupção será o campo de batalha principal.
Perguntas Frequentes
Por que Felipe Curi assumiu a vaga de senador?
A indicação ocorreu porque o Tribunal Superior Eleitoral declarou inelegível o ex-governador Cláudio Castro. Curi, que era secretário de Polícia Civil, estava preparado para a disputa e substituiu o nome original da chapa do PL no Senado.
Qual é a polêmica envolvendo a Operação Contenção?
Realizada em outubro de 2025, a operação ficou conhecida por ser a mais letal da história do estado, com 122 mortos em confrontos, incluindo policiais. Embora tenha resultado em muitas prisões do Comando Vermelho, gerou debates sobre métodos policiais.
Quem é o candidato a governador do PL?
O partido escolheu Douglas Ruas, ex-secretário de Cidades, para a disputa ao governo do estado. Ele conta com a base política de seu pai, o prefeito Capitão Nelson, de São Gonçalo, município com grande peso eleitoral.
O que foi a Operação Anomalia?
Foi uma investigação da Polícia Federal autorizada pelo STF que prendeu o delegado Fabrizio Romano e o ex-secretário Alessandro Carracena. Eles eram suspeitos de facilitar crimes em troca de propina para proteger interesses de traficantes internacionais.
Marcio Canella precisa abandonar a prefeitura?
Sim, para se candidatar ao Senado como companheiro de Curi, o prefeito de Belford Roxo deve renunciar ao mandato executivo municipal até 4 de abril, seguindo regras de incompatibilidade de cargo na lei eleitoral vigente.
Há críticas sobre uso da polícia na campanha?
Eduardo Paes (PSD) criticou fortemente o gesto, argumentando que prisões recentes de vereadores poderiam ser usadas estrategicamente contra oposições políticas, embora Curi defenda suas ações como cumprimento do dever legal.